O Fórum Mundial da Água é um evento histórico e gigantesco, tanto pela estrutura como pela representação, com delegações de 180 países. Em termos de presença de governantes foi quase um fracasso. Na abertura presidida por Michal Temer o único país de peso presente foi o Japão, que mandou o príncipe herdeiro do Japão, Naruhito. O futuro monarca em seu discurso defendeu a união de vários setores para a resolução de problemas relacionados à água.

A metade do evento

Nesses três primeiros, dias centenas de encontros com debates, apresentações de teses. O Conselho Mundial da Água coordenou dois painéis com focos nos mecanismos de financiamento de obras de infraestrutura hídrica e saneamento. A Universidade de Nebraska em parceria com Embrapa promoveu uma discussão sobre a importância da água para a produção de alimentos.
Na terça o destaque principal vai para a “Cerimônia de Abertura da 5ª Conferência Internacional das Autoridades Locais e Regionais”, que trouxe mais de 100 prefeitos e autoridades locais de todo o mundo.
A abertura da Conferência Parlamentar foi coordenada pela subcomissão do Senado Brasileiro para o 8º Fórum Mundial da Água, liderada pelo Senador Jorge Viana. Parlamentares de todo o mundo estão presentes, por meio da articulação da União Parlamentar Internacional (IPU).
A sessão “Água como direito humano: Implementação de ferramentas e estratégias institucionais e de financiamento sustentável” explorou as mudanças institucionais necessárias para estabelecer os direitos humanos à água e saneamento em todos os lugares. Contou com a moderação do Relator Especial da ONU sobre direitos humanos à água potável segura e saneamento, Prof. Leo Heller.
A Comissão do Fórum Cidadão iniciou suas atividades promovendo a sessão “Rios urbanos: Cidadãos como agentes transformadores desse ambiente”, trazendo experiências do Brasil, África do Sul, Portugal e Índia. Qual é o papel do cidadão na recuperação de rios urbanos?
A sessão “Redes hidrológicas nacionais em países de tamanho continental – passado, presente, futuro, problemas e perspectivas” foi liderada pela Agência Nacional de Águas (ANA) e o Serviço Geológico Norte Americano (USGS), e discutiram os problemas e soluções de gerenciamento de dados hidro meteorológicos em países de tamanho continental como o Brasil e os Estados Unidos.
O Painel de Alto Nível “Crises Hídricas no Brasil” envolveu governadores dos estados brasileiros que estão vivenciando crises hídricas, como o Distrito Federal (Rodrigo Rollemberg), Ceará (Camilo Santana) e São Paulo (Geraldo Alckmin), além do Ministro da Integração Nacional (Helder Barbalho). Em Brasília há racionamento. No setor da Asa Sul onde estou hospedado não tem água todas as quintas. Alkmin se comportou mais como candidato à presidente que como governador.
A sessão especial “Resultados do Painel de Alto Nível da Água para a Nova Agenda de Ações pela Água” apresentou os resultados do debate das Nações Unidas, composto por 11 Chefes de Estado, Nações Unidas e grupo do Banco Mundial. A sessão analisou os novos fundamentos para entender melhor questões transfronteiriças.
A sessão “Realidades invisíveis: Segurança hídrica em favelas, em situações pós-conflitos e pós-desastres e em outras comunidades” abordou a importância de se garantir acesso à água de boa qualidade, saneamento e saúde pública em situações que estão cada vez mais frequentes, como áreas de conflitos e favelas. O Brasil está representado pela Fundação Nacional de Saúde (FUNASA).
Painéis de Alto Nível com destaque para “Parcerias Inclusivas, multi-institucionais e governança participativa” contou com a presença do Presidente do Senegal, país sede do próximo Fórum Mundial da Água em 2021. Também cabe destaque para “Gestão Integrada das Nascentes dos Rios aos Mares” que discutiu a importância de se pensar e agir acerca da inter-relação entre a qualidade dos rios e corpos d’água doce e a qualidade dos mares.
A sessão “Reconhecendo o direito humano ao saneamento” mais uma vez discutiu a importância de fazer valer o direito humano à água potável e saneamento reconhecido pela ONU em 2010. O coordenador foi o Relator Especial da ONU sobre direitos humanos à água potável segura e saneamento, Prof. Leo Heller.
A sessão “Fundos para água, mecanismos financeiros para a conservação de bacias hidrográficas por meio de soluções baseadas na natureza” ilustrou como soluções financeiras inovadoras como o pagamento por serviços ambientais tem resultado em proteção de mananciais e ganhos financeiros à produtores rurais na América Latina, inclusive em Joinville. A coordenação foi de Sérgio Campos, Líder de Água e Saneamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O Painel “Revitalizando a GIRH para a Agenda de Desenvolvimento 2030” também foi discutido. GIRH é a sigla em inglês para Gestão Integrada de Recursos Hídricos. Os conceitos de GIRH envolvem a participação multissetorial de forma descentralizada e participativa.
Outro assunto debatido durante o 8º Fórum foi a necessidade de reutilização da água. Várias sessões abordarão esse assunto, seja por meio de ciência e tecnologia, tecnologias sociais, etc. Um bom exemplo será a sessão “Reciclando Águas”, que contará com a apresentação de casos da Namíbia, França, Brasil, Espanha e Singapura. Vale destacar a apresentação do projeto Aquapolo, único do país a fornecer água 100% reutilizada, e a presença do Presidente da Associação Internacional de Dessalinização (IDA).
Mais um tema que rendeu debates acalorados foi o estresse hídrico – fardo e soluções para a agricultura. Devido à crescente demanda mundial por produtos agrícolas com alto consumo de água, os níveis dos problemas hídricos em muitas partes do mundo correm o risco de aumentar, afetando a segurança alimentar, o desenvolvimento econômico e os direitos humanos. Pesquisadores da Universidade Técnica de Berlim apresentam uma análise de fluxos virtuais de água de países com problemas hídricos para a União Europeia/Alemanha. Serão discutidas formas de enfrentar esse desafio urgente junto com o Vice-Diretor da Divisão de Água e Solo da FAO, com o Relator Especial da ONU sobre o direito humano à água e saneamento (a confirmar) e ONGs que trabalham com comunidades afetadas no mundo inteiro.