Nos próximos dias o mundo da política catarinense gravitará em torno do prefeito Udo Döhler. Adversários, apoiadores, admiradores e secadores vivem o suspense sobre o que fará o prefeito de Joinville. Renuncia e disputa uma candidatura ao governo, vice ou senado, ou permanece no posto, cumpre o mandato e encerra a carreira política. Esse é o dilema. Udo tem até o dia 7 de abril para tomar a decisão.
Essa data é emblemática no Brasil, pois foi nesse dia que, em 1831, Dom Pedro Primeiro atirou a coroa sobre a cama do filho junto com um curto bilhete onde se lia: “Usando do direito que a Constituição me concede, declaro que, hei mui voluntariamente, abdicado na pessoa do meu muito amado e prezado filho, o sr. D. Pedro de Alcantara. Boa Vista, sete de abril de mil oitocentos e trinta e um, décimo da Independência e do Império. Pedro.”. Dom Pedro renunciou ao trono e foi-se para Portugal combater seu irmão Dom Miguel. Udo está pensando em manter-se no cargo e com isso renuncia à possibilidade de disputar o governo catarinense.
Ele percebe as manobras dentro do MDB, onde alguns quadros reconhecem que ele tem a melhor possibilidade de vencer as eleições, mas refletem que isso representaria um ganhar e não levar, pois acreditam que Udo montará um secretariado sem levar em conta as forças partidárias que o elegeram.
Um desses políticos fez a seguinte observação: “É quase certo que Udo ganhará, mas quando assumir ninguém o controlará e com certeza vamos vê-lo mandando prender secretários.”.
Bem, penso que seja o esperado de um governador exigir punição para auxiliares que não se norteiem pela ética e honestidade. Fora disso é reles e criminosa cumplicidade, passível de processo e punição conforme a lei.
Hoje (22), quinta-feira, acontece uma grande reunião partidária onde deputados, prefeitos, vices e vereadores solicitarão a Udo que não desista da disputa. Na verdade ele a quer, mas para isso não está disposto a trocar de partido, nem deseja o prêmio de consolação de ser vice ou candidato ao Senado. A verdade é que o mundo político caminhará sobressaltado até o 7 de abril. Udo abdica ou não?