Os afastamentos de trabalhadores vítimas de acidentes de trabalho e de doenças ocupacionais causam um prejuízo indireto anual de R$ 10 bilhões à economia de Santa Catarina. A estimativa foi divulgada durante o lançamento da campanha Abril Verde, iniciativa de diversos órgãos públicos que busca mobilizar a população para o enfrentamento da questão.
Segundo os dados compilados pelo Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, Santa Catarina registrou média anual de 25 mil acidentes de trabalho (oficialmente comunicados ao INSS), entre 2012 e 2017, ocupando o sexto lugar no ranking nacional (4% dos casos). Porém, quando se verificam os afastamentos previdenciários associados a acidentes e doenças ocupacionais no mesmo período, o estado salta para a segunda posição, com um gasto de R$ 1,3 bilhão – nada menos que 9% do valor total de benefícios repassados.
“Essa desproporção indica que os acidentes que ocorrem em SC são mais graves e geram períodos de afastamentos mais longos,”, avalia o auditor-fiscal Pedro Henrique Maglioni da Cruz, chefe do setor de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho. “Também é possível presumir que há uma grande subnotificação dos casos de doenças ocupacionais, um problema que é crônico em todo o país”, acrescenta.

Dias perdidos

Segundo o especialista, entre as cem cidades brasileiras com mais afastamentos acidentários, dez são catarinenses. O estado também é o segundo no ranking de dias de trabalho perdidos por doenças ocupacionais e acidentes de trabalho. Usando uma projeção da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o auditor calcula que o impacto indireto à economia catarinense seja de R$ 10 bilhões ao ano.
“Esse cálculo considera gastos com tratamentos de saúde, indenizações e a perda de produtividade gerada pelos afastamentos”, explica, destacando que as estatísticas oficiais não incluem trabalhadores informais, autônomos, servidores públicos e domésticos”.
Para o procurador do Ministério Público do Trabalho, Acir Alfredo Hack, a gravidade da situação exige a ampla mobilização da sociedade. “Não estamos falando de pessoas que morrem precocemente ou após a aposentadoria. Falamos de pessoas que são afastadas em plena atividade, gerando não somente o dano irreparável para seus familiares, mas gastos astronômicos, previdenciários e sociais”, disse.
Representando o Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (TRT-SC), o desembargador do trabalho Roberto Luiz Guglielmetto apresentou um balanço das atividades desenvolvidas pelo Programa Trabalho Seguro, destacando que cresce a percepção de que ambientes de trabalho disfuncionais podem desencadear graves problemas psíquicos. “É preciso ter clareza de que todos nós pagamos caro pela falta de uma cultura de prevenção”, afirmou.

Uma morte a cada 3 dias

Somente no ano passado, 118 trabalhadores catarinenses morreram vítimas de acidente laboral, o que representa a proporção de uma morte a cada três dias. Entre as atividades com maior número de acidentes estão o trabalho nas fundições de ferro e aço, o atendimento hospitalar e o abate de suínos e aves.