Maio chegou. Rápido e sorrateiro, e sem perceber já estamos no quinto mês do ano, quase na metade de 2018. E todos aqueles sonhos, objetivos e resoluções de ano novo agora já aparecem ficando para trás, a maioria distante, não realizada. Listas e listas que não saíram do papel, comportamentos que não se fizeram mudar, atitudes que não foram tomadas. A inércia é mais forte. E isso traz aquela velha reflexão sobre o tempo, de quanto o tempo pode ser curto se não aproveitado.
Sim, o tempo é curto, só temos uma vida, afinal. E ele é curto principalmente porque estamos o tempo todo correndo. Parece contraditório, não? Se estamos sempre correndo, o tempo deveria render mais, e não menos; mas não é bem assim. O tempo parece mais curto porque, na verdade, por estarmos sempre correndo não paramos para apreciá-lo, apreciar o que fazemos. Só fazemos, fazemos, fazemos. Na maior parte do tempo, coisas automáticas, e aquelas que precisam ser planejadas (os tais sonhos e objetivos) acabam ficando sempre pra depois, e o depois parece não chegar.
A vida agitada que levamos não é a mesma que tinham os nossos avós, apesar de eles terem trabalhado tanto quanto nós, na verdade até mais. Então por que parece que o tempo passa muito mais rápido hoje?! É certamente essa capacidade de distração que adquirimos – estamos constantemente perdendo o foco, e para coisas que nem sequer importam, ou não importam tanto assim. Desconcentrados, sem terminar o que começamos, sem disciplina. Não tem mais “hora de comer”, “hora de dormir”, “hora de ficar com a família”, é só uma bagunça onde tudo é feito pela metade e sempre dividido com um objeto “robótico”, que se tornou mais importante que relacionamentos reais. Uma pesquisa de 2016 (https://exame.abril.com.br/tecnologia/brasileiro-usa-celular-por-mais-de-tres-horas-por-dia/) revelou que os brasileiros passam, em média, 3h14 por dia no celular, os jovens 4h, números que já devem ter crescido nos últimos dois anos. É o último contato antes de dormir, o primeiro ao acordar, motivo de constante insatisfação nos relacionamentos, porque a atenção ao celular é maior que ao parceiro/a, que à família, e aos seres reais que estão ao redor.
E aí, tem como não sentir-se perdendo tempo assim? Fica a reflexão…