Não foram dias fáceis para os brasileiros. Em Joinville, assim como em outras cidades, a busca pela preciosa gasolina passou a ser uma jornada difícil. Longas filas, postos fechados, desespero de algumas pessoas. José Duarte precisava viajar para Itajaí para o nascimento do primeiro neto. Não conseguiu. Porém, ao contrário da revolta, a solidariedade. “Sei que a greve é para melhorar o Brasil. Indiferente do resultado, foi dado o recado de que não aceitamos mais tanta corrupção. Não é apenas pelo preço do combustível, mas principalmente pela corrupção que tomou conta de tudo”, frisou.
Maria Dias, comerciante ambulante, também teve prejuízos. Não conseguiu abastecer, mas levou no bom humor. “Assim eu tenho que andar e aproveito para emagrecer. Sei que o movimento é democrático e espero que pelo menos alguém do governo tenha bom senso sobre o recado que demos. Não suportamos mais roubalheira”, frisou.

Manifestações mostram força popular

E as manifestações realizadas em Joinville e região mostraram que a população exige mudanças. Foram milhares de pessoas que foram para as ruas e exigiram não apenas a baixa do combustível, mas, também a Intervenção Militar se possível. Uma forma democrática de mostrar revolta com a corrupção no país. Em Joinville, a manifestação começou no Centro e depois seguiu para a frente do 62ª Infantaria, onde se pedia o apoio dos militares. Assim também ocorreu em vários municípios de Santa Catarina e, principalmente do Paraná. Em Ponta Grossa, conhecida como a Capital dos Caminhoneiros e Capital Cívica do Brasil, onde teve início as manifestações, milhares de pessoas também se mobilizaram. Fica agora, até o fechamento desta edição, a expectativa do que acontecerá com o Brasil, nos próximos dias.

Falta de alimentos nos mercados e preocupação com preços

A falta de abastecimento deixou grande parte dos mercados de Joinville sem carne, frutas, verduras e legumes. Sendo regularizado o serviço, se espera que tudo volte ao normal. No entanto, o problema está no preço que será cobrado pelos alimentos. A alegação da possível alta é justamente a demora e o custo da reposição. É algo que ocorre em todo o Brasil. Não se tem ainda um cálculo de quanto será o reajuste para cada produto, mas comerciantes calculam que poderia variar de 10% a 50%.