As discussões em empresas, universidades, bares e esquinas da vida é se o presidente Michel Temer conseguirá percorrer os poucos mais de cinco meses que lhe restam de mandato. No pronunciamento que fez na noite de domingo anunciando que cedia às reivindicações dos caminhoneiros os brasileiros e brasileiras viram apenas um velho homem nervoso, periclitante, perdido. Era evidente que não tinha noção e alcance do que estava acontecendo, do que fazer, nem do que ainda poderá acontecer. E o pior. Nenhum de seus ministros mais diretos estavam em melhor situação.
A tinta da caneta do presidente Michel Temer está secando e o brilho dela já é uma vaga lembrança. Em outros anos eleitorais, o poder presidencial de sanção ou veto, de liberação de emendas, autorização de obras e demais medidas voltadas para a população criaram uma estrutura política capaz de garantir votos e a reeleição. Mas não é para este rumo que o governo federal se encaminha. E a paralisação dos caminhoneiros foi o xeque-mate. A demora em perceber e reagir aos protestos escancarou uma situação de fragilidade que, agora, compromete a capacidade de aprovar medidas no Congresso. E tudo se encaminha para a perda da capacidade do MDB em ser o protagonista na união do centro em torno da pré-candidatura de Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda.
O governo se esforça para criar a narrativa de que está fortalecido. Há duas semanas, prometeu entregar, até o fim do ano, 700 mil imóveis do Minha Casa, Minha Vida e autorizou crédito para financiamento e conclusão de obras em Santa Catarina. Ao fim de abril, reajustou o Bolsa Família em 5,67% — quase o dobro da inflação do ano anterior. Mas não consegue impulsionar a pré-candidatura do MDB e emplacar a imagem de uma gestão forte. Ao contrário. O que se fala nas ruas é que seu melhor ato como presidente seria renunciar.