A Câmara de Deputados da Argentina aprovou no último dia 14, o aborto livre até a 14ª semana de gestação. Em outras palavras, aprovou o direito de matar, afinal, é disso que se trata o aborto, um homicídio intencional. O projeto de lei segue para o senado, e depois à Presidência da República. A lei atual no país permite o aborto em casos de estupro ou em que a mãe corra risco de vida, o que acontece também aqui no Brasil.

O mais impressionante – e revoltante – sobre o fato são os gritos de vitória de tantas mulheres (e homens também), aqui no Brasil inclusive, comemorando o direito legal de tirar vidas. Vidas inocentes que, se não por imprudência delas próprias, nem mesmo existiriam, para estarem agora sendo assassinadas por elas. “Isso é progresso”, dizem. Sério? Isso é progresso? Não. Isso é regredir, e muito, em termos morais, de respeito, amor, humanidade e liberdade.

Liberdade. Uma palavra forte em significado. E chega a ser irônico como o argumento de “liberdade” se contradiz nessa situação. De um lado, a liberdade “sobre o próprio corpo”, como dizem os pró-aborto, de não responsabilizar-se pelas próprias ações, se sobrepondo à maior das liberdades de um outro ser: a vida. Dizem-se a favor da decisão responsável, de não colocar no mundo uma criança indesejada. Mas que moral tem esse discurso para falar sobre prudência e decisões responsáveis? Pois, o que é o aborto, afinal, se não uma forma muito simples de fugir à própria responsabilidade, sacrificando outro ser? A única decisão responsável, e justa, perante uma gravidez, é assumi-la com toda a dedicação possível, tanto pai quanto mãe.

E não, realmente não cabe à ninguém interferir no corpo de outra pessoa, e certamente não é essa a intenção de qualquer um que seja contra o aborto, prejudicar a mulher que está diante da decisão. Mas é sim, acima de um direito, um dever, olhar por aqueles que nem mesmo têm a capacidade de protegerem a si mesmos ou lutarem pelo direito básico de viver. Já salvam-se os casos em que, não por imprudência, mas por um ato de violência (estupro), ou em que a mãe corre risco eminente de vida. Mas liberar o assassinato de bebês por qualquer motivo fútil? Teríamos então que deixar de interferir nas ações de qualquer assassino, porque isso seria interferir na liberdade de escolha dessa pessoa, em tirar uma outra vida. E isso não faz sentido. Devemos abortar essa ideia.