Na cidade chinesa de Zhaozhou havia duas pontes. Uma ao sul, grande, feita por Lu Ban. Outra, menor, a oeste, construída por Lu Jiang. Os dois construtores eram irmãos. Os dois irmãos andavam pela China. Observaram que um rio impedia chegar a Zhaozhou. Muita correnteza. Só dois barqueiros com suas canoas. E as pessoas queriam fazer comércio na cidade. Arroz. Hortigranjeiros. Tecidos. Algodão… Berros, carroças, sacos, discussões…
Lu Ban – Por que não fazer uma ponte? O rio tem cento e trinta metros de largura. Areias movediças na fundura. Muitos a projetaram. Ninguém a levou a cabo.
Lu Ban e Lu Jiang – Vamos fazer um desafio. Faremos duas. Quem acaba antes! Começamos ao cair da noite. Deverá estar pronta ao primeiro canto do galo. Quem não conseguir, perdeu a aposta.
Lu Jiang foi para um lado da cidade. Acabou antes da meia noite. Depois foi espiar a obra do irmão. Nada à vista. Lu Ban nem aparecera. Ao longe um rebanho de ovelhas descia o monte Thaihary na direção de Lu Jiang.
O pastor era Lu Ban e as ovelhas eram pedras brancas, lisinhas. A ponte seria muito bela. Lu Jiang voltou rápido. Ornamentou a ponte com flores, fitas, faixas, trepadeiras. Voltou a espiar o irmão. Aponte de Lu Ban quase pronta. Faltavam duas pedras. Lu Jiang imitou um galo. Todos os galos começaram a cantar enganados. Antes da hora. Lu Ban se apressou. Por isso terminou em tempo. Lá estão até hoje as duas pontes.
As moças chinesas que querem bordar almofadas, pantufos, fronhas, cortinas, saias, enxovais, as mães as aconselham que vão à pequena ponte buscar os modelos, a inspiração. A notícia das duas pontes em uma só noite trouxe muitos curiosos, os oito imortais de Penlai. E Zhang Guolao pegou seu burro, carregou no bornal esquerdo o Sol. No da direita colocou a Lua. Convidou o Rei Chai. O Rei Chai, com um carrinho de mão, estrado de ouro com pegas de prata carregando sobre o carrinho as quatro maiores montanhas da China.
Zhang Guolao – Quem construiu esta ponte?
Lu Ban – Fui eu. O que é que aconteceu? Algo de errado?
Zhang Guolao – Nós queríamos atravessar com o carrinho e o burro. Achas que ela suporta?
Lu Ban – Podem passar.
Zhang Guolao e Rei Chai riram e, entrando, a ponte começou a ceder e abanar… Então Lu Ban correu para debaixo da ponte e segurou-a com as mãos. Os dois passaram. Hoje podem-se ver os sinais dos cascos do burro e o rastro do carrinho de mão na distância de um metro. Por baixo da ponte estão as marcas das mãos de Lu Ban.
Zhang Guolao – Passei a ponte. “E pena que a tua vista seja tão ruim”!
Lu Ban – É mesmo! Agora reconheço as ilustres personagens. Pois arranco um olho e coloco-o atrás da ponte. Agora vou embora.
O rei dos escudeiros passou por ali, viu o olho. Pegou-o e colocou-o na testa. É por isso que nas pinturas ele sempre aparece com três olhos. E Lu Ban é o patrono dos pedreiros. Também é por esse motivo que os pedreiros fecham um olho quando querem verificar se uma linha está reta. E entre os guardadores de gado canta-se esta música:
“Quem construiu a ponde de Zhaozhou? E quem foi que, ao passar lá com burro, a fez inclinar um pouco para oeste? E quem é que lá passou com um carrinho de mão e deixou bem marcado o rodado? Foi Lu Ban que fez esta ponte. E Zhang Guolao, ao passar lá com o seu burro, fê-la inclinar para lado oeste. E foi o Rei Chai que, com o seu carrinho, aí deixou bem marcado um rodado”.