Em Joinville, no primeiro semestre de 2017, estão contabilizados 4.417 casos de AIDS. A faixa etária mais diagnosticada está entre 20 e 49 anos, considerada a faixa etária produtiva e economicamente ativa. A taxa de mortalidade relacionada à doença se mantém próximo à média do Estado, com  8,1 óbitos por 100 mil habitantes. Atualmente, sendo que 75% dos casos se dá na população heterossexual, e 25% na população homossexual e bissexual juntas (Fonte: SINAN 2017, Joinville/SC). Os dados indicam que, deste quadro, as pessoas que vivem com o HIV possuem o ensino fundamental incompleto, chegando a ter no máximo cinco anos dedicados aos estudos.

Nos últimos dois anos, não há registro de casos de transmissão vertical em Joinville, quando o vírus é transmitido da gestante para a criança, na hora do parto. Significa que o tratamento e acompanhamento das gestantes que vivem com o HIV está sendo efetivo, evitando a contaminação. Joinville está cumprindo a meta de reduzir a eliminação da transmissão vertical, conforme o pacto da cooperação interfederativa.

De 2007 a 2016, Santa Catarina registrou 40.881 casos novos de AIDS. Em 2014 foi instituída a notificação compulsória do HIV. Isto é, a partir do diagnóstico da presença do vírus a pessoa passa ser considerada portadora do HIV. A implantação do o exame de teste rápido na Rede de Atenção Básica de Saúde ampliou o teste de diagnóstico para o HIV no município, fazendo o número ter um incremento de 20%, 798 casos, em Joinville. Desde então, o número de casos diagnosticados de HIV e AIDS vêm crescendo na proporção de dois homens para cada mulher diagnosticada com AIDS. No primeiro semestre deste ano estão contabilizados 4.417 casos de AIDS. A faixa etária mais diagnosticada está entre 20 e 49 anos, considerada a faixa etária produtiva e economicamente ativa.

Tratamento

Com medicações apropriadas, o HIV pode ser controlado. O tratamento médico é chamado Antirretroviral (TARV), popularmente conhecido como “coquetel”. Ele pode prolongar a vida da maioria dos pacientes com HIV e diminuir a chance de transmissão para outros indivíduos.

Sobre o HIV

O vírus da imunodeficiência conhecido como vírus do HIV pode levar à Aids, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Diferentemente do que acontece com alguns outros vírus, o corpo humano não é capaz de eliminar o HIV, ou seja, uma vez adquirido, o vírus permanecerá no organismo a vida toda. O HIV se espalha através dos fluidos corporais e afeta, principalmente, células do sistema imune (sistema de defesa do organismo), chamadas CD4. Com o passar do tempo, o HIV pode destruir essas células de tal forma que o organismo se torna incapaz de lutar contra infecções e doenças em geral. Quando isso acontece, é sinal de que a infecção pelo HIV levou à Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, a Aids. O indivíduo diagnosticado com o vírus, se tratado antes do avanço da doença, apresenta expectativa de vida próxima do normal. O tratamento do HIV auxilia o paciente em todos os estágios da doença, e pode diminuir ou prevenir a progressão da mesma.

 

 

 

A Prefeitura de Joinville, por meio da Secretaria da Saúde, reforçou seu engajamento no combate à epidemia de AIDS em Santa Catarina, e assinou a Declaração de Paris, documento que firma o compromisso entre o município, Estado, Ministério da Saúde e Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids).

Lançada no Dia Mundial de Luta Contra a Aids, em 2014, a Declaração de Paris é uma iniciativa da Unaids que convocou prefeitos de todos os países com o objetivo de acelerar a resposta para o fim da epidemia da doença em suas cidades.

Entre os compromissos do acordo está o alcance, até 2020, das metas 90-90-90, ou seja, que 90% dos portadores de HIV estejam diagnosticados; que 90% estejam em tratamento; e que 90% deste grupo tenham carga viral indetectável.

De acordo com a enfermeira do Centro de Vigilância em Saúde da SES, Ana Carolina Klein, a Declaração de Paris é uma ação complementar à intervenção ministerial (ação Interfederativa) implementada em Santa Catarina, e que envolve doze municípios estratégicos em um plano conjunto de enfrentamento da Aids.

“Com a Declaração de Paris, Joinville faz prestação de contas a cada quadrimestre para o Estado e para o Ministério da Saúde, atualizando sobre o andamento das ações, dentro do cronograma estipulado. Temos iniciativas já concluídas, algumas em andamento e outras que deverão ser finalizadas dentro do prazo de dois anos”, explica a enfermeira.

Uma das ações já implementadas é a disponibilização da profilaxia pós-exposição (PEP), nas três unidades de Pronto-Atendimento (PAs), no Hospital Regional e no Hospital Infantil.

Entre as medidas em andamento, está o programa de cuidado compartilhado, onde o paciente é diagnosticado portador do vírus HIV ainda na atenção básica e já inicia seu tratamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

A médio prazo, a SES estuda o aumento dos postos de distribuição da medicação para pacientes com Aids, atualmente disponível apenas na Unidade Sanitária.

Além das ações práticas, a capacitação dos profissionais da saúde é mais um ponto contemplado pelo plano de combate ao HIV/Aids, com o objetivo de que todos sejam preparados para atender os pacientes de forma padrão.

De acordo com a Secretaria da Saúde, Joinville apresenta incidência anual de aproximadamente 40 novos casos de Aids para cada cem mil habitantes. A taxa de mortalidade pela doença também está acima da média nacional.

Sífilis

Além do plano de enfrentamento ao HIV/Aids, a Secretaria da Saúde de Joinville também trabalha incisivamente no combate à sífilis, doença grave e silenciosa, que traz sequelas graves e que pode levar à morte.

“A orientação principal para a prevenção da sífilis é o uso de preservativo e a testagem rápida, que está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde e no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), na rua Abdon Batista”, orienta Ana Carolina.