Fênix é a “Balsamissa” ou “Baunilha-dos-jardins”. Era uma vez uma menina. Aldeia pobre. Montanhas. Esperta. Graciosa. Trabalhadeira. Fiava, tecia e bordava. Mãos de fada. Era Qiao Gu. Mas por ali morava um moço pobre. Man Cang. Os dois eram colegas de escola. Bons amigos e os pais tencionavam casá-los.
E a família de Man Cang, como prenda, ofereceu arroz, uma couve branca, um punhado de favas e uns pimentões vermelhos. A menina adorou o presente. Do espaldar da janela observou. Marcou-se a data do casamento para a Primavera. Os pais de Qiao Gu providenciariam o enxoval.
Qiao Gu – Uma boa filha não deve aceitar enxoval dado pelos pais. Tenho mãos e não é preciso comprar. Vou fazer eu mesma.
Man Cang – Vou ajudar-te mas só tenho uns quilos de algodão.
Flor de Ouro – Vizinha. Noiva de magnata da cidade, também ia casar. Recebia enormes presentes, finos braceletes de ouro, joias, casacos bordados. Experimentava a todos. Espelhava-se. Ia mostrar-se a Qiao Gu.
Qiao Gu Fiava e cosia, bordava sem levantar os olhos. Usava o algodão e bordava os motivos recebidos como prenda do noivo, em cores vivas. Se furava o dedo com a agulha, escondia o pingo de sangue dentro de flor vermelha. Uma gota de amor tingia uma linda borboleta. Três meses de trabalho. E Flor de Ouro viu a flor e quis. Dou-te dez casacos de seda bordados a flores e seis saias enfeitadas com borboletas coloridas.
Qiao Gu – Não quero. Nada vale mais para mim do que este tecido de algodão.
Flor de Ouro – Furiosa, agarrou o vestido. Deixa-me, ao menos, usá-lo um dia. Depois devolvo. Fugiu carregando o vestido. Perseguida por Qiao Gu. Jogou o vestido em cima de um alto muro. Qiao Gu pegou um longo bambu. Mas as pegas desceram do céu, pegaram o vestido e voaram. Enxotou, gritou, bateu os pés. Nada adiantou. Subiram com o vestido desfraldado por entre as nuvens = fênix.
Flor de Ouro – Toma este de seda em troca.
Qiao Gu – Não quero.
Mas restaram alguns fios de algodão. Fez uma rede para pegar as pegas e recuperar o vestido. Faltavam dois dias para o casamento. As pegas estavam no telhado palrando. Estendeu a rede. Colocou sementes dentro e segurou o laço de desarme. Pegou quase cem. Ia agarrá-las quando elas ergueram voo e levaram Qiao Gu para a direção do sol nascente. Vento. Lá em baixo as campinas ficavam cada vez mais longe. Pousaram no cimo de uma montanha. As pegas romperam a rede e pousaram nos ramos próximos. Porém, uma fada apareceu trazendo-lhe o vestido.
Fada – O vestido que tu bordaste é belo. O meu é mais belo. Queres trocar?
Qiao Gu – Não quero. Vou casar-me e quero o vestido que eu mesma fiz.
Fada – Toma o teu vestido. Desejo-te uma vida feliz. E a fada desapareceu em forma de fênix de lindas cores. E todos os pássaros a seguiram.
Qiao Gu – Pegou o vestido. Desceu a montanha. Encontrou Mang Cang a trabalhar.
MC – Eu vi as pegas levando você junto. A casa está pronta e limpinha.
Qiao Gu e Mang Cang casaram. Ela era mulher caprichosa. Trabalhava bastante e não queria que só Mang trabaslhasse. Quando era muito quente deixava o vestido na sombra e usava outra roupa bem leve. E as pegas pousavam por perto e cuidavam. Um dia deixou o vestido à beira do caminho e ajudava o marido a ceifar. Passou Flor de Ouro e roubou-o, vestindo-o logo. As pegas pegaram-na e a cada bicada tiravam um pedaço de tecido.
Flor de Ouro ficou nua, ferida e com o rosto deformado… tanto que o marido a mandou embora. O vento espalhava pedaços coloridos do vestido. Pareciam flores e as borboletas as perseguiam. Caíam sobre o terreno lavrado. No ano seguinte brotaram muitas flores coloridas pelo campo.
Qiao Gu tomou os rebentos e replantou-os ao redor de casa. Aquelas cores lhe lembravam o vestido de casamento. Na primavera seguinte floriram. Fortes raízes vermelhas e lindas folhas verdes. Cores resplandecentes que fazem lembrar uma fênix de asas bem abertas em voo na direção do sol. É por isso que estas flores se chamam “Flores Mágicas de Fênix”.