A contribuição desta semana trazida por esta colunista que vos escreve é, assim espero, uma palavra de inspiração, ou ao menos, de reflexão. Então, vamos lá…
Creio nunca ter conhecido alguém capaz de explicar a felicidade. Para alguns, a felicidade é ter saúde, outros a definem como estabilidade financeira, ter uma família, ou ter amigos, ou um carro do ano. Creio que esse sentimento de satisfação por possuir algo que é querido tenha a ver com os valores pessoais de cada um. Mas seria mesmo correto definir tal satisfação como felicidade? Pois, não ter então qualquer uma dessas coisas significaria estar, portanto, infeliz, não é? Mas, realmente, não parecer ser assim…
Recentemente, uma pessoa muito próxima a mim foi diagnosticada com um dos mais malignos tipos de tumor. Passado o choque inicial e algumas sessões de lágrimas e desespero, confesso que nunca em minha vida, nem mesmo com coisas simples, fui capaz de desempenhar tanto otimismo quanto essa pessoa tem demonstrado. Há alguns dias atrás, também, conversando com outra pessoa, tornei-me ouvinte da seguinte história: Dois tratamentos de câncer, oito cirurgias, caminhando para a nona. E ela falava sobre isso como alguém fala de amenidades, sobre um dia de sol. Ela estava rindo…
É por situações como esta que fico cada vez mais convencida de que a felicidade vem de dentro, e não das circunstâncias. O que justifica haver pessoas com muito dinheiro e muitos bens, que são completamente vazias ou dizem-se incrivelmente infelizes. E ao mesmo tempo existem aqueles que a cada dia uma luta maior vem à tona, e ainda assim preservam a capacidade de sorrir, como esses dois exemplos aí acima. Sim, a felicidade é proporcional ao nível de gratidão que cultivamos por aquilo que já temos, e não definida por circunstâncias ruins que não podemos controlar. É um sentimento absoluto que irradia, e não que absorve o que é de fora. Diria que ela é quase um talento, que nem todos se empenham em descobrir em si mesmos. Sempre existirá, afinal, algo além de nós, de cada um de nós, que desejamos tanto alcançar. Se apoiarmos nossa felicidade nisso, em coisas específicas, então, quando seremos finalmente felizes?!