Semana passada a Deputada Jandira Feghali teve uma crise de faniquitos por causa do projeto de lei 6299/2002 que “flexibiliza a Lei dos Agrotóxicos” alegando que este retira a ANVISA e o IBAMA da análise de risco dos produtos a serem utilizados na agricultura e que a ONU, OMS, Anvisa, Inca, Fiocruz, Ministério Público do Trabalho (MPT) e diversos órgãos públicos e mais de trezentas entidades rejeitam o texto do projeto. Além disso, afirma que “pelo menos nove substâncias proibidas no mundo (Endossulfam, Cihexatina, Tricloform, Monocrotofós, Pentaclorofenol, Lindano, Metamidofós, Parationa Metílica e Procloraz) serão autorizadas caso
A leitura do projeto de lei, nada mostra que corrobore essa afirmativa da Deputada; ao contrário, o PL diz que foi apensado o PL 4.412/2012, “para banir produtos que tenham como ingrediente ativo: abamectina, acefato, benomil, carbofurano, cihexatina, endossulfam, forato, fosmete, heptacloro, lactofem, lindano, metamidofós, monocrotofós, paraquate, parationa metílica, pentaclorofenol, tiram, triclorfom, e qualquer substância compreendida no grupo químico dos organoclorados …”
De qualquer maneira a burocracia no Brasil faz com que produtos utilizados em várias partes do mundo demorem mais de 10 anos para serem liberados aqui, o que faz com que sejam, às vezes, já inúteis depois de tanto tempo. É preciso modificar isso.
O problema maior é a quantidade de mentiras veiculadas por grupos infiltrados por esquerdistas (como os citados acima)que acabam criando uma histeria em torno dos pesticidas (aqui no Brasil chamados de agrotóxicos, já com nítida intenção de marginalizá-los).
Das substâncias citadas acima somente o Pentaclorofenol, Lindane, ethamidophos e Paration Metílico, são proibidos nos EUA. Os esquerdistas citam a International Agency for Research on Cancer (IARC) como autoridade para banir pesticidas (como agora o Glyphosato) considerados carcinogênicos. A IARC costuma achar que tudo é carcinogênico. O glyphosato citado acima foi colocado na classe A2 como provável carcinogênico a mesma classe da carne vermelha, fumaça da madeira, beber bebidas muito quentes (acima de 65 graus) e ocupação profissional como cabeleireira.
Na classificação mais alta da IARC (classe 1) encontramos vilões conhecidos como o tabaco, plutonium, mas também radiação solar, peixe salgado, bacon e carnes processadas.
É preciso ficar claro que o termo correto não é “agrotóxico” e sim pesticida, termo que abrange os herbicidas (que atacam plantas parasitas), fungicidas (que atacam fungos), inseticidas (que atacam insetos), etc. Sem estes pesticidas, não conseguiríamos produzir adequadamente nossos alimentos. Até a chamada “agricultura orgânica” (milhares de aspas aqui…) os utiliza.
Isso porque nos mais de 700 milhões de anos de evolução das plantas na Terra, estas desenvolveram venenos em seus caules e folhas para as protegerem dos predadores.
Assim, ingerimos constantemente venenos ao comermos vegetais, legumes e frutas.
Uma simples batata que começa a ficar esverdeada apresenta quantidades de pesticida natural (a solanina). A cafeína, a nicotina, a capsaicina (da pimenta) , a pulegone (da hortelã) etc, já foram utilizadas como pesticidas naturais.
A lista é longa. Em 1990 Bruce Ames publicou um trabalho chamado “Dietary pesticides (99.99 percent all natural)”. Nele, Ames mostra que comemos cerca de 1,5 g de pesticidas naturais por dia, “que é cerca de 10 mil vezes mais do que a quantidade de resíduos de pesticidas sintéticos que consumimos”. Essa quantidade é maior nos vegetarianos e nos vegans. Como exemplo o autor fornece uma lista de 49 pesticidas diferentes encontrados no repolho. As concentrações desses pesticidas são em partes por milhares ou partes por milhões enquanto a quantidade dos pesticidas sintéticos que encontramos em nossa comida é de partes por bilhões.